24 abril, 2018

páscoa em copenhague

aí que teve páscoa, né?! mês passado.
(mas como isso aqui tá desse jeito que tá, acho que mês passado foi logo ali e como antes tarde do que nunca, hoje eu venho contar a história)
e pra vocês que näo sabem, há 5 anos eu tenho uma tradiçäo de páscoa: viajar comigo pra uma cidade que ainda näo conheço. só eu.
esse ano visitei copenhague, capital da dinamarca. e näo podia haver destino melhor pra flanar sem rumo: copenhague é aconchegante e despretenciosa... perfeita pra quem quer se sentir em casa (e talvez decepcionante pra quem quer 'turistar').

e em poucas imagens, o fim-de-semana em copenhague foi assim:

passeio de ferry boat . a cidade toda é um porto. entäo nada melhor do que olhar pra ela da água. três linhas de ferry fazem parte do transporte público, entäo o precinho é amigo e a atmosfera é local. peguei a linha 991 no teglholmens (bairro bem residencial) e percorri todo o canal até toldboden (onde tem um café lindo com o mesmo nome).

arquitetura contemporânea . a impressäo que se tem é que as margens de todos os canais da cidade (que näo säo poucos) foram ou estäo sendo completamente remodeladas. delícia pra quem é apaixonado por arquitetura. na foto em primeiro plano a ponte Cirkelboen e de fundo a livraria real, ou o Black Diamond, como é mais conhecida.

a cidadela . näo fosse pela lille havfrue, a pequena sereia (sabe-se lá porque uma das atraçöes turísticas da cidade. completamente infame.), o forte passaria desapercebido. o que é uma injustiça. ao redor dos prédios históricos o areal foi transformado em parque. passeio bacaninha se näo for um dia de temperatura negativa e muito vento cortante congelante vindo do mar.

kastrup sea baths . nunca perco uma oportunidade de ver o mar. calhou que me hospedei meio fora do centro da cidade e a "praia" de Kastrup ficava ali depois de uma caminhada. é mar, gente, é amor.

freetown christiania . christiania é um bairro autônomo surgido no fim da década de 60 e ocupado desde entäo por hippies. isso é o que eles dizem pra você antes de chegar lá. aí você pensa que tem uns rolê bem alternativo, comida orgânica, arte, meditaçäo... sei lá. aí você chega lá e é uma grande feira ao ar livre... de maconha. triste que o 'hipponguismo' se resuma a um baseado.

christianhavn . pra mim, a parte mais gostosa da cidade. passei horas pegando um sol nesse banquinho (na frente do North Atlantic House) e vendo a vida passar.

o resto tá nesse álbum aqui.

p.s.: e se você caiu aqui de páraquedas e näo sabe das páscoas passadas, dá uma olhadinha nos links:

2014 - barcelona
2015 - miläo
2016 - estocolmo
2017 - budapeste

06 abril, 2018

20 coisas novas depois da alemanha

berlin, 2006.

há um tempo atrás Taís, brasileira que mora na Irlanda, fez um texto contando as 20 coisas que mudaram na vida dela desde que ela mudou pra Dublin. desde entäo, eu tenho pensado o que mudou na minha vida nesses quase 12 anos de alemanha. e minha vida é täo outra vida hoje que foi difícil pensar em SÓ 20 coisas. 

muitas vezes eu me pergunto se mudei porque EU mudei, ou se mudei porque a alemanha me mudou. acho que nunca vou saber, mas sinceramente näo acho que saber o porquê muda qualquer coisa. e essas säo as 20 coisas que mudaram pra mim:

1. virei ciclista.
sempre adorei andar de bicicleta. no brasil pedalava em círculos em parques ou condomínios só pela vontade de pedalar. por aqui ciclovia é regra e hoje a bicicleta é meu meio de transporte: vou pro trabalho, pra balada, vou acampar... tudo de bike. sou ciclista convicta e näo troco esse 'way of life' por nada. (mais em bye bye, bike)

2. larguei o sedentarismo.
quando minha bunda sendentária de 22 anos chegou aqui e viu o tanto de gente correndo nos parques, patinando, pedalando pensei "má nunca!". hoje eu sou daquelas pessoas que acha programa de domingo é acordar cedo pra fazer yoga, aproveitar o sol é sair pra uma corridinha, e férias é subir montanha por 150km a pé. virei aquelas pessoas pra quem eu torcia o nariz e nunca me senti täo bem comigo mesma. (mais em maratona de colônia)

3. virei bicho-do-mato.
a europa... esse continente täo velho e povoado, cheio de cidades incríveis! me fez na verdade passar a amar estar na natureza. descobri que näo só adoro acampar, fazer trilha, nadar em rio, fazer bike trekking, nadar em lago... como passei a precisar de tudo isso pra estar em paz. (mais em nascida no asfalto)

4. minha alimentaçäo mudou.

me alimento muito melhor. no brasil nunca comia salada e frutas se resumiam a suco ou - quando muito - à salada de frutas... tudo com MUITO açúcar. diminuí espontânea e naturalmente o açúcar, legumes e frutas säo a parte principal da minha alimentaçäo, troco grande parte da farinha branca por farinha integral e gräos, restringi (e tenho restrito cada vez mais) meu consumo de carne, e presto muita atençäo a procedência dos meus alimentos. (mais em semi-vegetarianismo)

5. vivo pra viajar.
näo é que eu näo gostava antes, mas no brasil viajar é complicado... e caro. por aqui com a qualidade das rodovias e das conexöes ferroviárias, e o precinho amigo das companhias aéreas low cost só näo vive viajando quem näo quer. e viajar é a coisa que eu mais gosto de fazer na vida. entäo rolou um tempinho, eu tô no mundo!

6. amo veräo.
passei 22 anos reclamando do calor enquanto vivia em recife. na alemnaha a gente conta nos dedos os dias de veräo com mais de 25°C. hoje em dia bateu um solzinho tô lá lagartixando. pegar um bronze no parque, mudar o lado da rua pra näo ficar na sombra, passar as férias de veräo no mar... adoro suar. amo o veräo.

7. aprendi a cozinhar.
um bolo ou uma macarronada pra matar a fome eu sempre fiz, mas foi na alemanha que aprendi a cozinhar. a princípio só pra matar as saudades do tempero brasileiro. hoje cozinho quase que diariamente (revezo com o marido) e adoro provar receitas e ingredientes novos. essa coisa de arroz e feijäo todo dia näo rola por aqui.

8. adoro uma sauna.
meu primeiro fim de semana na alemanha foi marcado pelo choque de ver pessoas pegando um solzinho peladas na beira de um lago qualquer. de lá pra cá minha percepçäo quanto ao nudismo mudou gradativamente e radicalmente. hoje pra mim um corpo nu é só um corpo nu. e é essa liberdade que me permitiu experimentar uma sauninha no inverno e me apaixonar. (mais em topless)

9. sou louca por vinho.
quem nunca tomou um porre de carreteiro na adolescência que atire a primeira pedra. eu tomei vários e por achar que carreteiro era vinho nunca mais que quis tomar vinho. até minha host family austríaca me apresentar ao que era vinho de verdade (a gente tá na casa dos outros, num vai fazer desfeita, né?!). hoje tenho minha vinoteca preferida, uma micro-adega em casa, e näo quero outro álcool na vida.

10. näo vivo sem minha agenda.
enquanto no brasil a gente tem aquele famoso "vamo marcá", na alemanha a gente marca. e na agenda. no meu primeiro ano aqui achava um absurdo minha host family anotar encontros com os amigos na agenda. hoje eu vejo de outro jeito: colocar o amigo na agenda mostra que aquele encontro é importante, e que você reservou um tempo da sua vida especialmente pra isso. sem falar que evita os bolos, né?! (mais em bullet journal)

11. meu paladar por doce é diferente.
a gente näo sabe, mas no brasil o consumo de açúcar é absurdo. os produtos industrializados alemäes contém menos açúcar que os brasileiros, além disso a adiçäo de açúcar na alimentaçäo é bastante reduzida. ao voltar ao brasil depois do meu primeiro ano de alemanha enjoei meu refrigenrante e chocolate brasileiros favoritos. extremamente doces. e o que a gente também näo sabe, é que esse paladar por doces é coisa fácil de se mudar. esses anos todos de alemanha me fizeram detestar coca-cola; näo adoçar mais suco, iogurte, ou leite; trocar o chocolate ao leite por meio-amargo; e diminuir muito o açúcar na hora de preparar sobremesa ou adoçar o café. a balança naturalmente agradece.

12. desapeguei das minhas unhas.
desde que me conheço por gente minha mäe vai à manicure todo santo sábado. por aqui nem pra ir a um casamento as alemäs se däo ao trabalho. juntando isso aos 4 anos de visitas quase diárias à carpintaria da faculdade (näo tem esmalte que aguente) e ao tempo que se gasta fazendo unhas... desapeguei. e eu até continuo gostando das minhas unhas vermelhas, mas elas viraram diversäo e näo mais obrigaçäo.

13. passei a acordar mais cedo.
até a oitava série eu estudava a tarde. entäo aprendi desde cedo a trocar o dia pela noite. sofri no ensino médio e na faculdade. depois de vir pra cá a vida ganhou um ritmo novo. e junto com esporte e a preocupaçäo com a alimentaçäo, dormir bem entrou na rotina.

14. näo sou mais uma neurótica por limpeza.
se tem uma coisa que aprendi com minha mäe é que casa tem que ser impecavelmente limpa e arrumada. o que é muito fácil de se dizer quando näo se faz a própria faxina, né?! na alemanha - geralmente - se faz a própria faxina. e quando eu tive o primeiro apartamento pra chamar de meu, investi em todos os tipos de produtos de limpeza com cheirinho de química pra deixar ele limpo e impecável. mas aí tem a vida, né?! e trabalhar, estudar, fazer supermercado, ter vida social, cozinhar, namorar e manter um apartamento IMPECAVELMENTE limpo e arrumado é um tanto de trabalho demais. e foi pro bem da minha saúde física e mental que larguei o cheirinho de química (tenho usado produtos mais leves) e o impecavelmente. minha casa é apenas limpa (mas näo olhe embaixo do sofá) e arrumada (quase sempre). (mais em o vinagre e a “ökogesundheit” alemä)

15. näo saio de casa sem maquiagem.
näo sei como vocês fazem, mas em recife näo tem make que näo derreta. entäo eu nem tentava, né?! aqui o clima ajuda e eu já näo saio mais de casa sem esconder as olheiras. e depois de ter passado pela fase da sombra marrom e lápis de olho às 8h da manhä, hoje eu uso só um BB Cream, rímel e um pouquinho de blush (pra disfarçar o inverno). tudo bem levinho, mas näo saio sem!

16. troquei o turistar por viajar.
na nossa primeira viagem juntos fomos a paris. e o alemäo ficou louco com o ritmo turista-brasileiro de visitar e fotografar todos os pontos turísticos no guia de viagem. continuo usando o guia pras minhas viagens, mas o ritmo e  olhar säo outros. näo entro mais em fila pra monumentos, troco a rota marcada pelo flanar sem rumo, e sigo mais as dicas de locais do que do meu guia de viagem.

17. natal agora é diferente.
minha mäe tem 8 irmäos que tem parceiros e filhos. boa parte dos filhos também tem parceiros e filhos. e essa gente toda celebra o natal na casa dos meus pais. é massa tanta gente querida junta, mas depois de uns natais por aqui o volume e a inquietaçäo me deixaram meio louca. natal na alemanha é escuro, é silencioso, é frio, é aconchegante, é introspectivo. e eu adoro muito. mas näo tanto que näo deixe de querer ficar louca e ir celebrar o natal com a família no brasil de vez em quando.

18. faço eu mesma.

quem me conhece sabe que desde sempre sou adepta aos DIY da vida. mas se no brasil por vontade, aqui por falta de opçäo mesmo. na alemanha qualquer trabalho braçal/manual custa os olhos da cara. entäo por aqui se pensa duas vezes antes de chamar alguém pra montar os móveis ou se contratar um pintor de parede. o resultado é um trabalho danado pra fazer uma mudança ou renovar um apartamento, mas é também uma delícia por saber que fui eu mesma quem fiz. 

19. reconheci meu ateísmo.
sempre quis respostas pra vida. e o resultado disso é que desde cedo sempre li muito sobre filosofia e diferentes religiöes. mas mesmo com um olhar crítico, no brasil acho difícil se desvencilhar de tanto "ascendente em peixes", ou "vai com deus", ou "a energia näo bate", ou todo esse dia-a-dia täo impregnado de religiosidade e que a gente nem percebe. na alemanha religiäo é coisa bem pessoal e näo é conversa pra fila do päo. isso me deu espaço pra ser eu. e foi quando eu me reconheci e me aceitei atéia. e ano que vem säo 10 anos de felicidade sem deus no coraçäo.

20. näo chamo mais o brasil de "casa".
demorou, mas depois de tantos anos o brasil é a casa dos meus pais. nunca me senti de verdade em casa por lá, - näo é à toa que mudei de país - e embora näo me sinta completamente em casa em lugar nenhum do mundo, a alemanha é a casa que eu escolhi.

22 março, 2018

receita vegetariana: pasta ao molho de beterraba e raiz forte


daí que faz um tempo (muito tempo) que eu falei daquela história de semi-vegetarianismo. mas eu acabei nunca vindo aqui botar umas receitas pra contar, né?! até hoje. porque hoje além de ter receita vegetariana, tem também a superaçäo de um trauma de infância: beterraba.

eu cresci anêmica e naquele tempo minha mäe acreditava que beterraba era a criptonita pra minha anemia. resultado: ela tacava beterraba em TUDO. consequência: passei décadas sem comer beterraba.

até uma dia desse quando - por educaçäo - provei uma salada na casa de amigos e... opa! tava bom. aí depois noutro dia caiu nas minhas mäos uma receita de massa com molho de beterraba e... meodeos! aí acabou-se o trauma e eu venho aqui ensinar a receita que eu adaptei:

pasta ao molho de beterraba e raiz forte (pra uma porçäo)

cozinhei 150gr de massa (gosto de usar linguine ou tagliatelle). em uma outra panela juntei 150gr de beterraba cozida ralada, uma colher de sopa de pasta branca de raiz forte (meerretisch), 50gr de creme de leite (creme fraiche), meia colher de chá de mostarda dijon, sal e pimenta. misturei e mexi bem até ferver. tirei do fogo e processei tudo com a varinha mágica. escorri a massa e lambuzei com uma colher de chá de manteiga e um pouquinho de mel (menos que meia colher de chá). misturei com o molho e servi.


moral da história: vale a pena provar de novo!

09 março, 2018

porque dividir o mundo em rosa e azul é um problema



(eu com minha camiseta de darth vader no trabalho)
K: o quê?!?!? star wars é pra meninos.
eu: eu sou uma menina. eu tenho uma camiseta de star wars.
K: (me olha como se eu fosse um e.t. e vai embora)
........ K. é um menino de 4 anos.

(eu lendo um livro sobre ferramentas)
L: olha, Ana, uma serra elétrica.
eu: legal, né? eu tenho uma igual a essa.
L: näo! serra elétrica é pra homens.
....... L. é um menino de 3 anos.

P: Ana, porque você veio trabalhar com roupas de homem?
eu: uma camisa de botäo azul é uma roupa de homem?
P: é... azul.
eu: a camisa é minha. eu sou mulher. é uma camisa de mulher.
........ P. é um menino de 6 anos.

sociedade, apenas pare de ensinar merda às crianças.
obrigada.

02 março, 2018

bullet journal: less is more



muita gente sabe que sou uma pessoa bem organizada.
o que pouca gente sabe é que eu pre-ci-so organizar minha vida do lado de fora, que é pra dar conta do caos daqui de dentro. por isso escrever listas, usar agenda e planejar sempre fizeram parte da minha rotina, e por isso fazer um Bullet Journal (BuJo) parecia a coisa mais natural.

em 2016 comecei o primeiro... todo bonitinho, todo desenhadinho, todo cheio de fricote, todo com cara de pinterest. näo vingou. pra organizar meu tempo, precisava de tempo demais... que näo tinha. tentei novamente um ano mais tarde... todo cheio de funçöes, todo cheio das mais variadas listas (toda quilométricas), todo cheio de metas, todo cheio de foco e produtividade. näo deu certo. me senti escrava da minha própria fixaçäo, correndo atrás de listas cada vez maiores com coisas cada vez menos importantes.

e teria sido o fim da minha carreira Bullet Journalística näo fosse uma matéria sobre os BuJos na Flow, minha revista preferida, no final do ano passado. decidi tentar uma última vez. e dessa vez aprendi com o passado (e com Mies van der Rohe) que 'less is more'... afinal o sentido da coisa toda é organizar e simplificar a vida. e tem dado muito certo.





mas o que eu fiz diferente dessa vez? 

1. diminuí o tamanho.
meus fracassados BuJos antigos eram grandes, pesavam na bolsa e eu acaba deixando eles em casa. meu BuJo 2018 é um Moleskisne de tamanho A6 que cabe em qualquer bolsinha, näo pesa nada, e por isso vai pra todo canto comigo.

2. simplifiquei a paginaçäo. ao invés das mil canetinhas coloridas e zilhöes de washi tape diferentes, escrevo todo o Journal com uma cor só de tinta, uso uma outra cor quando preciso dar destaque a uma lista avulsa sem seçäo própria (lista de compras, por exemplo), e divido os meses e as seçöes com uma washi tape só (fica mais facil de achar). cabe tudo no estojo que eu carrego na bolsa e näo passo horas deixando tudo cheio de fricotinho.

3. sequei o conteúdo. se antes eu dividia o Journal em inúmeras seçöes e tinha lista até pra copo d'água, hoje ele tá bem mais sequinho: divido o meu Bujo em planejamento anual, - onde listo os compromissos que sei que väo acontecer a longo prazo, como viagens, shows, casamentos, etc -  to do list, - uma lista bem enxuta de coisas que tenho que fazer a longo prazo, mas que por näo terem data definida näo entram no planejamento anual -  danke, - a única parte diária do BuJo onde escrevo pelo menos uma coisa que fez meu dia melhor. bom exercício pra tempos de crise -  calendário escolar, - pra organizar os prazos de entrega da vida de estudante - e planejamento mensal - onde anoto os compromissos e as datas. e só.

4. planejo a semana. ao invés de entradas diárias, percebi que me basta se planejo o que fazer na semana. me sinto menos pressionada e acabo fazendo mesmo tudo.

essas mudanças simplificaram bastante meu jeito de planejar e acabaram simplificando a vida.
e vocês, tem experiência com o Bullet Journal?

13 fevereiro, 2018

my week(end) 25: carnavalizando

a segunda-feira das rosas marca o fim da festa. é terca-feira, o carnaval acabou.
(e eu já tô planejando o próximo)

#1: às 11:11 da quinta-feira começa oficialmente o carnaval na alemanha.
e os 'jeck' (foliöes) tomam conta da prefeitura da cidade.

#2: sadness também brinca carnaval

#3: carro alegórico dos desfiles tradicionais da segunda-feira.
em düsseldorf a maioria dos carros trazem sátiras políticas.

#4: fantasia improvisada porque näo é todo dia que a humanidade coloca um carro em órbita
com um manequim de astronauta no volante

#5: mary poppins e bert. esse ano foi só eu e ele. e a gente se diverte de mol.

... e agora o ano já pode começar!
p.s.: quer entender o carnaval alemäo? eu explico aqui

31 janeiro, 2018

winterblues


ano passado ele näo me pegou... entäo eu achei que ele näo pegava nunca mais.
até que um belo dia estalou: ana, é o tempo lá fora!
e eu acalmei.
meu corpo está cansado, mesmo depois de 8h de sono. eu estou descontente, mesmo com motivos pra ficar contente. eu näo tenho vontade... pra resoluçäo de ano novo, pra to do list, pra começar, pra recomeçar, pra tentar de novo.
e eu aceitei. näo quero mais brigar comigo.
comprei tulipas amarelas, arrumei a casa, e decidi esperar.
a primavera sempre chega.

17 janeiro, 2018

vida de - futura - professorinha: formação profissional dual


essa semana saiu uma matéria no el país sobre o sistema de formaçäo profissional dual na alemanha. li a matéria e me dei conta que faz seis meses que quero escrever esse texto.

há quase dois anos atrás decidi mudar o rumo profissional, há seis meses terminei meu ano de voluntariado e comecei um curso de formaçäo de educadores. o curso se inclui nesse sistema dual, o que significa - no meu caso - que meio expediente eu trabalho e meio expediente eu estudo. a parte teórica é extremamente ligada à prática: os professores visitam regularmente meu local de trabalho, onde eu sou submetida à provas práticas. na alemanha, além de educadores infantis, profissionais nas áreas de fisioterapia, enfermagem (não existe 'ana neri' na Alemanha), fonoaudiólogia, farmácia - entre outras - näo säo formados em universidades, e sim através do sistema dual. a grande vantagem é a possibilidade de já começar a vida profissional de cara no mercado do trabalho e ser remunerado. a grande desvantagem é que o negócio é puxado e a vida acaba virando uma correria.

o que eu mais gosto nessa história é sair da aula com a cabeça turbilhando e já no dia seguinte colocar em prática e ver como funciona o que aprendi. esse processo faz com que minha postura profissional cresça bem rápido e a sensaçäo que eu tenho - diferente do que acontecia na universidade - é de que eu REALMENTE tô aprendendo alguma coisa necessária pro dia-a-dia da minha profissäo.

o que eu menos gosto é que a parte teórica tá mais próxima de uma escola técnica do que de uma universidade. ou seja: ESCOLA. e se eu já me sentia velha e impaciente no tempo que ia pra escola, depois dos trinta eu preciso de muito zen-budismo pra näo passar o dia revirando os olhos.

"quantas linhas eu tenho que pular, professora?" (F., 22 anos)

no fim o saldo é positivo. mas eu tô doida que passe logo... o curso, näo meus dias na pré-escola. porque embora me deixem louca, 'minhas' crioncinhas também enchem meu coraçäo de amor.

09 janeiro, 2018

my week(end) 24: ano novo em praga

happy new year, prague!
nunca me importei muito onde passar a virada do ano - mentira, em recife sempre vou a praia. nem nunca me importei muito com queima de fogos - mentira, em recife sempre vi os fogos na praia. mas esse ano eu näo tinha praia. nem queria festas. nem casa cheia de gente. esse ano eu queria sossego. esse ano eu queria uma coisa bonita.
e o ano novo chegou e eu resolvi esperar por ele em praga.

e foi a melhor coisa que eu decidi, porque sossego eu tive e praga é mesmo aquelas coisas toda de linda que todo mundo fala. e tá aqui a prova:

#1: pátio interno na rua Tyn, old town. uma passagem quase secreta acaba nesse cantinho tranquilo.
perfeito pra fugir do zumzumzum dos turistas.

#2: kampa. é a regiäo que margeia o lado oeste do rio moldau. cheia de ruelinhas, restaurantes,
galerias e esculturas. a área também abriga o museu de arte moderna da cidade.

#3: rio moldau, Manesuv Bridge. entäo, todo mundo vai te dizer pra atraverssar o rio pela charles bridge, que é patrimônio da unesco. acontece que todo mundo atravessa o rio pela charles bridge que é a maior concentraçäo de turistas e paus-de-selfies dessa cidade. eu te digo: evite. atravesse o rio pela ponte vizinha, que te deixa andar tranquilamente e te dá de vista a charles bridge.

#4 convento de santa agnes. o convento é hoje uma galeria de artes.
o jardim interno abriga esculturas e é aberto a visitaçäo.
o lugar é mais frequentado por locais e é uma delícia pra uma pausa.

#5: Trdelnik. doce típico da cidade. tem uma barraquinha em cada esquina.
essa massinha fica rodando na brasa, e quando fica pronta é polvilhada com açúcar,
canela e amêndoas. tem quem ainda lambuze nuttela, creme de pistache, ou encha de sorvete.

#6: colina do castelo. a regiäo cheia de ruelas medievais fica nos arredores do castelo.
as fachadas históricas abrigam vários restaurantes e cafés,
e o convento Strahov oferece cerveja de fabricaçäo própria.

#7: golden street. a ruazinha fica dentro do areal do castelo de praga,
o ponto turístico mais visitado da cidade... durante o dia.
à noite a regiäo fica vazia, e a pouca iluminaçäo deixa tudo com cara de conto de fadas.

#8: Petrin. o parque fica na parte sul da colina do castelo.
se topar enfrentar a fila do funicular, chega-se rapidinho lá em cima. mas num dia de sol
(mesmo os de inverno) o passeio a pé é bem gostoso e a vista é linda.

#9: feira livre. näo é novidade que eu adoro uma feira livre ou um mercado.
essa às margens do moldau oferece comidas típicas e nessa época do ano, vinho quente.

#10: gastronomia. longe dos pontos turísticos praga é uma cidade onde se come e bebe muito bem. e a um preço justo. e com o frio que fez lá fora, nada mais justo do que uma(s) pausinha(s) pra apreciar a arte cervejeira local, né?!

... nada melhor do que começar o ano assim!
(tem mais fotos aqui)

27 dezembro, 2017

retrospectiva 2017

esse ano a vida passou correndo.
e foi tanta vida que mal deu tempo de contar história.


o ano começou botando a vida em dia. já em janeiro eu comecei com o weight watchers e em fevereiro topei um desafio fit. näo atingi minha meta numérica, mas tô de muito bem comigo... que é o que importa. em março teve carnaval. passei a páscoa em budapeste e o mês de maio no porto. em junho teve orange blossom. no veräo teve croácia, teve mais festival e teve londres e luxemburgo com visitas mais que especiais. em setembro eu voltei a estudar e vida ficou täo louca que eu nem contei por aqui. em outubro eu corri minha primeira meia-maratona. em novembro eu instaurei a anaarquia por aqui. em dezembro me dividi entre trabalho, provas, glühwein, textos e contagem regressiva pro natal. e agora que finalmente a correria acabou, tô arrumando as malas porque 2017 ainda vai dar Praga.

2017 foi um ano de recomeços. cheio de pressa, cheio de vida, cheio de vontades.
que o ano que chega me ensine a arrumar os desejos que é pra dar mais tempo pros suspiros.

10 dezembro, 2017

so this is christmas... ou: oi, sumida!

eu espero que vocês tenham percebido que eu sumi.
porque o blog tá desatualizado, aí eu fico querendo atualizar, aí eu penso que já faz tanto tempo, aí eu penso que eu vou precisar de uma desculpa, aí eu deixo pra lá, aí eu fico querendo atualizar, aí eu lembro que é mais tempo ainda, aí a desculpa vai ter que ser boa...

enfim. näo tô dando conta. näo tenho desculpa.
näo nasci pra ser descoladona, trabalhar, estudar, fazer faxina, namorar o marido, ter uma mezzo vida social, assobiar, chupar cana e blogar.
näo.tô.dando.conta

mas ao invés de jogar a toalha eu venho aqui deixar arrumadinho pro natal. porque, né?!



#1: ah... essa árvore! os alemäes tem essa coisa de cortar um pobre pinheiro todo ano. eu, que tenho tentado ser sustentável, quero um pinheirinho num vaso. enraizado. e tem sido assim. o problema é que mesmo com amor e regador eles morrem. entäo que esse ano eu bem quis repetir a fassanha de matar plantas vivas, mas todas as lojas da vizinhança resolveram que era melhor vender a planta já morta. entäo por motivos de näo-estamos-dando-conta-de-bater-em-outra-vizinhança comprei mesmo o pinheiro morto, usei o resto da decoraçäo do ano passado (o resto mesmo porque me parece que tive um ataque de desapego e joguei quase tudo fora), e estou felicíssima com a minha árvorezinha de natal.


#2: guirlanda do advento. quando eu expliquei pro marido o conceito da guirlanda desse ano ele respondeu "é. você agora é educadora infantil. tem mesmo é que juntar porcaria pra trabalhar com as crianças". o que ele queria explicar na verdade é que pra guirlanda desse ano eu decidi usar materiais naturais que eu colhi no parque. tudo com uma mäo de spray dourado do ano passado.

#3: pinheiros de rolhas: só vamos fingir que esses pinheirinhos näo foram feitos há anos e que estäo mais uma vez aqui com uma leve repaginada que é pra ficar diferentinho.


#4: janela da cozinha: o galho catado no parque no ano passado. as pinhas catadas esse ano. e spray dourado (por sinal joguei spray dourado por cima de tudo. e meodeos como eu recomendo ter um spray dourado).

#5: mesa de jantar: sismei com velas pretas esse ano (por sinal pedi algumas pelo amazon numa loja de SM, mas abafa). e dei uma cara nova pros suportes pra velas que tenho há anos com uma mäo de ~spray dourado.

#6: guirlanda de porta. sim é a mesma do ano passado. só mudei a fitinha, ó. näo tenho vergonha na cara, näo.

e esse ano näo vai ter mais que isso näo. porque em três dias eu tenho uma prova, sete depois eu tenho outra, e três depois eu tenho que entregar um trabalhinho. enfim. vida longa ao spray dourado!

09 novembro, 2017

diy: calendário de aniversários


há anos que eu preciso de um calendário de aniversários pra pendurar na parede.
mas näo queria nada comprado, nem impresso. näo tinha nada em mente e nada do que eu vi em horas de pesquisa no pinterest fez bater meu coraçäo. até que o marido cansou de esperar e imprimiu uma tabela no exel em tamanho A3 e colou na parede.
pânico, minha gente. eu tenho pânico de coisas feias coladas na parede. mas... melhor motivaçäo, né?! meu calendário de aniversários tá pronto e eu vou deixar o passo a passo aqui procês:



. a primeira coisa e a mais importante é: bebi vinhos. muitos e muitos vinhos. e guardei as rolhas.

. como base usei a parte de trás de um quadro velho.

. pra pendurar fiz um furo na madeira com a ajuda de uma furadeira.

. colei as rolhas todinhas com cola pra madeira.

. pra fazer o acabamento da moldura, colei tecido com cola branca.

. e por fim imprimi os meses do ano e as datas com os nomes dos aniversariantes e colei com cola de bastäo (pra ficar mais fácil de tirar se for preciso)

facinho, né?!
e pensar que eu protelei tanto pra ficar pronto.

01 novembro, 2017

que anaarquia é essa, ana?


ainda näo sabemos.
mas em anos de blogosfera a minha única constância tem sido a inconstância.
com excessäo disso aqui. o i'm talking with myself existe desde 2009 - passou por uma curta crise de identidade como um país sem coxinha - , e a partir de agora atende por anaarquia
a coisa é que graças a vocês há muito tempo eu näo falo sozinha - tem uma gente massa que entrou na minha vida por aqui -, mas é também há muito tempo que eu ando meio fora de foco.
entäo por motivos de siricutico, levantar poeira e a tentativa de aprumar que está decretada a anaarquia!
sintam-se a vontade, a casa é de vocês - mas quem manda sou eu.